Desejaria ter um pai menos severo
Mas se o tivesse, talvez quisesse um mais severo
Então talvez quisesse um pai equilibrado
Mas se o tivesse, talvez quisesse um menos severo,
Ou mais severo, o que seria pior!
Esse pai é apenas um pai,
que estaria na minha origem de um modo ou de outro.
Se esse foi o jeito de ele aparecer
Devo apenas saber se devo fazer ele desaparecer,
E esperar o próximo tirano
Torcendo que este seja melhor.
Para isso precisaria de muita certeza,
De que qualquer coisa seria melhor do que ele.
O que não tenho.
Antes sonhava em fazer isso acabar
Quero apenas o pai que tenho
E agora me questiono:
Se todos são filhos do Pai
Por que fazer isso acabar?
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
A Revolução dos Irresponsáveis
A questão é que eu não consigo ser responsável.
E existe sofrimento dentro de mim, que de outro modo não viria à tona.
E existe a análise, que, às vezes, parece um teatro, como minha vida parece um teatro, como minha voz parece um teatro.
Responsável, o que é ser responsável? Habilidade de responder aos que me solicitam, e positivamente, obviamente.
Mas como posso ser responsável e responder ao mundo inteiro, sem ameaçar o meu próprio mundo? O de belo filho, que responde aos apelos dos adultos como ordens.
Há muito passei a ser o que os outros desejam, como Morfeu, me tornei sonhos, os mais doces e variados e, por vezes, trabalhosos ou até impossíveis.
Responsável, não quero ser, isso não é vida, é prisão!
Mas e aí, como fica a imagem? Como não implodo sem ela?
Preciso ser, pois também desejo, e, para alcançar o que desejo, tenho que viver o que não quero (e será que não quero?). Quero e não quero, dividido, quero, mas a angústia e a frustração são menores que o medo, ou, porque não chamar de vergonha?
Sinto vergonha, muita vergonha! Como flechas que me atingem e me matam aos poucos, assim são os olhares e eu insisto em viver, moribundo de todo o sentido que dei a minha vida até então.
Essa ferida é importante, para lembrar quem eu sou e quem cada um é. Esse é o diferencial dos analisados.
Momento de Fraqueza
O mundo insiste em não fazer sentido
Como a areia em escapar pelos dedos
Ainda que poderosa seja a idéia
Que me põe de volta no eixo
Ainda assim ela não é pra todo tempo
Pois nada é mais poderoso
Quanto o jeito que aprendi a viver
Como a areia em escapar pelos dedos
Ainda que poderosa seja a idéia
Que me põe de volta no eixo
Ainda assim ela não é pra todo tempo
Pois nada é mais poderoso
Quanto o jeito que aprendi a viver
eu e Tu
Eu não sei.
Essa é a verdade.
Mas não toda, pois sei em parte.
O que não é diferente entre eu e Tu.
Mas há um percurso.
E não sei o que tu dirás,
só sei que se tu tens no peito a mesma ferida que eu, com certeza me entenderás.
É isso que te faz sublime. É para isso que sou feito eu.
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