segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Hoje não é um bom dia

O tempo acabou e nada foi feito.
Houve tempo para que fosse.
Houve pouco tempo.

Sempre é pouco tempo.
E não consigo contar os cacos.
Não consigo evitar que se quebrem novamente.

É uma incógnita.
O dia passa sem influência nenhuma,
nos dias que vêm depois dele.

Não há prevenção.
Não sei, e agora já não importa.
Até que venha outro dia igual.

Daí tudo começa de novo
E não segui velhas receitas.
De seguir em frente a qualquer custo.

A fórmula pragmática não deu certo.
É difícil aceitar que errei.
E que não há tempo para consertar.

Há tempo para um novo dia.
E nesse dia a sombra do velho ainda existe.
Mas não há dia sem sombras.

Se é aí que a sombra quer se esconder.
É aí que eu a enfrentarei.
Venha novo dia.

Venha velho dia.

Inércia

É saber e não querer. É achar indigno fazer algo do que não se tem vontade. É tédio. Falta a inspiração. É buscar a paz sem merecê-la. É sofrer pelo que não se quer fazer. É dizer que não tem poder sobre o próprio corpo, quando, na verdade, não temos poder sobre a nossa vontade.

Eu só quero começar. Eu só quero querer. Me sinto seco. Sinto sede. Sede de energia, de um sentido. De desejo. De alinhar esse desejo com o que devo. Mas desejo não se alinha assim. É só uma ilusão.

O que há comigo? Algo que não sei. Algo que digo que não posso, mas na verdade não quero. A verdade é que não quero. Mas às vezes passo por cima disso, e é tão bom! Deveria lembrar mais disso. É bom se superar. Não deixar que o momento se torne eterno. Segurar as emoções, ser adulto.

Não ser impulsivo. Mas é como se algo em mim necessitasse disso. Precisa disso. Preciso sofrer. Que fazer com isso? É como se não houvesse escapatória. Sofrer de um jeito ou de outro. Faltar de um jeito ou de outro. Não há completude.

Estou sendo muito direto e pouco poético. Preciso fazer diferente. A verdadé é que não preciso coisa alguma. Mas isso não faz sentido, nem é bonito. Então pra que serve?

Como posso fazer poesia sem sentimento, vontade, desejo. Sem nada além de culpa e subjugação ao que já se tem.

Não consigo fazer nada bonito, só dormir. Numa letargia infinita...